sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Nas mãos do Espartano

Espartano:
Rosa prestíssima
à tais simples notas passadas não se prenda mais,
agora ja não mais ouvirás sonatas ou prelúdios,
encontrarás suas pétalas em grandiosos concertos
e seu piano jamais sofrerá de solidão,
seus dedos jamais ficarão machucados,
pois estarão calejados,
estarão insesibilizados
pela sensibilidade de seus espinhos
que perfuram meu olhos
que padecem
em tortura aprazível por me tornar
menos sofredor vivencial.

A dedicação te dará um presente
motivo a qual torná-la a mais importante fonte,
donde fabricas fotossíntese diária
donde retira hábil sangue
donde retiras o incessante corte de sua lâmina ágil.

Rosa...
ouça-me atenta...

pétalas perderá
obsoletas cartas sumirão
as velhas sonatas
um inesperado dia esquecerá...

porém...

Espartano sempre será guerreiro
Rosa sempre cheirosa
piano sempre carecido
palavra sempre confortosa
Se aquela,
que vinda de certo alguém.

o amor cante
e recante
a melodia que recorde
como inpira-me constante
aquela que procede-me
eterno e alegre
AMANTE...

-Espartano (Mateus Araujo) 4 de dezembro



Rosa:
Quando respiro do mesmo ar que ti
Quando te apoio nas batalhas sangrentas
Quando enxugo o suor que escorre pela sua face
Minhas pétalas se abrem suavemente
Como se o nada virasse o tudo
e o tudo se acabasse em um nada.
Talvez sejamos pessoas flageladas
Condenadas a permanecerem intocadas
E pra que, complicar o complicado
Se tudo que quero é tocar sua armadura férrica
Minhas mãos pálidas e trêmulas
Irão acariciar teu busto forte

Irei te esperar
Mesmo que essa batalha dure anos
E meu fantasma te perseguirá
Meu canto ouvirá durante a estrada sombria
E minha música te encorajará
Para ir além daquilo que é superficial
E não se sentir derrotado

E amantes...amantes...
amantes e amantes entrelaçados...

- Rosa

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Súplicas



E agora?
Onde estão todas as pétalas que perdi pelo caminho?
Onde estão todas as belas frases ditas?
Onde estão meus amores concebidos?
E agora?
E agora, meu amante?
Onde estará você, com a sua ferocidade guerreira?
Onde estarão as palavras doces e sangrentas?
Olhe para a Rosa despetalada
Veja como adormece pacífica dobre o piano
As teclas pretas e brancas
Não tocam mais sua sonata.
E agora?


Lady Byron

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Correspondências da Rosa

Tento desviar- me de teu olhar venéfico
Algo que me corrompe, me dilacera
Que me pragueja com um hálito maléfico
Que me seduz e me conduz.

Do que adiante continuar com essa máscara
Querendo escorraçar meus fantasmas passados
Distraio-me com essa lâmina cortante
Perfurando-me o pulso esquálido

Tu és Espartano, meu ínclito guerreiro
Sedento de batalhas sentimentalistas
Sobre um doce enlevo
Aprisionado sobre alvacentos alquimistas

E é nesse crepúsculo que me despeço de ti
Com essas lágrimas salgadas e frias
E sobre esse abismo, irei me inebriar
Banhando-me nos raios pálidos do luar.

- Lady Byron

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Enigmas para Don Juan II

É homem sedutor. Hoje me tens. Mesmo com aquele seu sotaque arrastado, e aquela voz rouca. Mesmo com esses cabelos sedosos e essa boca delicada. É, hoje me tens, nobre amante. Mas, creio eu que não sabes metade de minhas finas habilidades.
Beba esse vinho, repouse tua cabeça em meu ombro, durma como uma criança no seio de sua mãe. Esqueça o mundo, esqueça o porque de estar aqui. Esse pseudônimo que me esconde, não surge efeito a ti. Tu és tão maligno, maldito e sedutor.
Não te reprimas, nobre amante. Serei a tua mais bela rosa, vermelha, cheia de espinhos, aquela que dilacera a carne de seus dedos quando tocada com ódio. Aquela que tem perfume doce e que encanta. Aquela que engana á você e a ela mesma.
Recorde-se das noites em que dividimos o mesmo travesseiro, e julgamos os dogmas, excomungamos santos, amamos demônios e fizemos do Sol um insolente. Recorde-se das noites em claro, em que viajamos aos céus, sem sair do lugar.
Não me tens mais, nobre amante. A sua doce Rosa só deixou á você um punhal...Um punhal e uma ferida no peito. Aberta. Sangrando e mostrando a sua carne fédida. Um prato cheio aos vermes e varejeiras que irão pousar em cima de ti. Não mais eu, nobre amante. Não mais...


Lady Byron

sábado, 4 de outubro de 2008

Estrofes para Cavalheiro

"Oh! menino desgraçado de amor afável
que perfura os olhos com sua lâmina gélida
Que não tens mais nada, sonho amável
De pesadelos perdidos, amores consumidos...

Queria eu, poder desvencilhar-me da Morte
Seus toques de carinho tão dolorosos
Serei tua mais bela rainha
Seu amor seria teu resguardo.

A você em vão nada mais pleiteio
Oh! menino sem nome, sem alma
Agora leia os poemas que escrevo a esmo
Com sangue da navalha, em dó a padecer."

Lady Byron
(Baseado no poema "Estrofes para uma Dama, com os poemas de Camões" de Lord Byron).

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Conto [de amor] Perdido

Escuridão. É o que vejo por todo o meu comôdo.Essa escrivaninha empoeirada, esse piano de madeira podre.O violino jogado no chão, meu sangue escorrendo.Será que você pode me ouvir gritar?
Minha palidez não lhe causa nenhum efeito.Os meus olhos vivos de fogo não lhe causam ardor.Essa fome, essa angústia de te ver,esse medo da sua presença.
Tudo isso faz-me melancolia.Tudo isso assusta-me.Dilacera-me.
Aos murmúrios grito seu nome.Ninguém pode me ouvir.Condenam-me por te amar.
Sei que a Morte já me faz companhia nesse estágio.Sem seu amor,sem seu calor,sem o seu beijo venenoso.
Não culpe os outros,não culpe o tempo.Eles nada importam.Eles nada fizeram para que isso acontecesse.
Agora, deitada sobre meu leito, imagino um fim próximo.Deixo este Conto Perdido, para que saibas, que nada foi em vão.Que ainda penso em ti.Em cada respiração encontro um gás ardente que me perfura os pulmões.
Mas esse ardor, não é mais forte do que sinto quando olhas pra mim.

sábado, 7 de junho de 2008

Ao Espartano

Não me venhas com seus desesperos! assim como te devo os meus
Aqueles que nunca julgaram a si proprio
E hoje, encaram o amor de frente
Juntamente com a Morte que lhe cega as faces.

Aquele cuja o nome não irei proferir
Mas que me fez derramar aquele sangue
Naquela guerra sem vitórias ou derrotas
Apenas espadas e espadas sobre um caminho escuro.

Quando vejo seu sorriso,
voltando da ardente luta contra os outros
Peco em minhas ilusões
Entregando-me ao perfeito prazer da carne, de ser o que sou.

Sei que estarei andando sozinha
Sem poder te tocar novamente
Mas enxugue essa lágrima salgada
E me faça suspirar sobre essas rosas cor de carmim.

Querendo tu, e odiando
Ao mesmo tempo, nada adianta.
E esse ser ou não ser constantemente me afeta.
Será tu, ó Espartano, a me consolidar com um amor?

Lady Byron