quinta-feira, 16 de abril de 2009

Lullaby


Mãos trêmulas me impedem o sentimento,
Dedos gelados não me dão o movimento,
E as lágrimas que escorrem por isso, e outros motivos
Que não me dão trégua, o malfeito dito.

Tens uma voz doce que entrega-me á alma
Não há porquê, não há alguém que acalma
Sinto os olhares desaprovados em minhas costas
É um emaranhado de sons e notas mortas.

Monstro de madeira e marfim
Que faz dar-me o melhor de mim,
Que me seduz apaixonado
Que me reduz a um mero caco.

Não me abandones nessa valsa tão bela
Sei que tu me entende mesmo na ofuscante luz de vela
Se que tu és meu companheiro eterno
Mesmo que amedronte-me, mesmo no inferno.

Aquela voz que fez-me perceber tua sombra
Não és monstro, és fiel, não amedronta
És mais que um, são cromas, são notas vibrantes
São fragemntos de sentimentos oscilantes.

Decepcionei-te, e ainda mais ao meu próprio eu
Que conjurava versos sobre a peça que me doeu
Mas não incomode-se, as besteiras ditas e o quase desistir
A voz, fez-me perceber que as lágrimas não eram de ti.

Deixe-me sozinha um pouco
Antes que o medo seja mais louco
Não te deixarei, piano imortal de vasto som
Me escutar e me apoiar é teu perfeito dom.

Nayara K.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Rimas de vida


Vida de lama e vida de pedra,
Folhas que caem, frio que me cerca
Ao desvencilhar-me do grito de dor
Não consigo encontrar o que chamam de Amor
Talvez a morte [e sim, talvez a melhor saída]
Mostrar-me-ia aonde está a alegria
Versos em prosa, em rima do mundo
O que Drummond dizia na apologia a Raimundo
Forjados em berços de ouro se fez
O riso insolente dos inocentes outra vez
Não é isso que desejo, mais do que creio
Não é isso que quero mais do que anseio
É, o sangue [e talvez a melhor bebida]
Fossem companhia minha esta noite caída
E a lâmina que perfura os pulsos latejantes
Dilaceram a carne das veias pulsantes
Ah, esse vasto mundo sem nome
Traga-me o ócio de viver sem fome
Fome de vida, de liberdade
Coisas que não ultrapassam, [ou sim] a saudade.
Deixe-me sentar e repousar sobre um mármore
Deixe-me ir com meu ópio, á lugares que me acalme
Ainda que fosse do tempo a poetiza mais bela
Teria versos em que desabafaria as almas repousadas na janela
E depois, dormiria como o céu
E não pousaria sobre minha cabeça, nenhum véu
Que me faria pior do que estou
A quem uma dia mais amou.
Nayara K.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mary Shelley

Naquele lago congelado pelo tempo
Amantes pelo primeira vez no véu lento
Talvez o ópio, talvez o absinto que bebeu
Talvez o próprio amor que nos aqueceu.


Éramos dois juntos em um só corpo, alma fadada
Em Missolonghi farei minha última jornada
Não te abalas os comentários das casa que frequenta
Não te calas o sóbrio homem que se ausenta


Oh! na Flor da Beleza arrebatada
Não há de te oprimir tumba pesada;
Em tua relva as rosas criarão
Pétalas, as primeiras que virão,
E oscilará o cipreste em branda escuridão.


Sabemos que o pranto não se oscilará
Algo que atenção a Morte não dará
E feito o malfeito digo do feitio
Resto de pele que a terra encobriu.


Virão as águas da azul fonte
Qubrarão a ruidosa ponte
E ao que me diz ao teu, semelhantemente
É que nos amamos ardentemente
No lago congelado ás beiras do estudo
Converto-me o nada em algo que é tudo.

Nayara K. (Lady byron)
(Baseado no poema "Oh! na Flor da Beleza Arrebatada" de Lord Byron - descrevo aqui, juntamente com o poema, o caso de amor entre Lord Byron e a Mary Shelley, a autora de Frankstein.)

domingo, 29 de março de 2009

♥


Ela respirou fundo e foi ver seus emails. Era um noite como outra qualquer. Havia chovido, tinha esfriado, o som dos orvalhos caindo chamavam a atenção. É, ela não pensou que teria algo esperando por ela. Algo que tinha ido embora á muito tempo, que havia a deixado, que não se importava mais, que a fizera sofrer, chorar, até sangrar com os pulsos abertos. É, ela não pensou que se depararia com isso, e que ficaria estupefata.
Ao ler, reler, imprimir, reescrever...Lembrou-se de todo seu passado. Os beijos, os abraços, os carinhos trocados, os toques, as palavras sussuradas ao pé do ouvido. Até aquela suspirada frase de amor dita apenas uma vez. Ela se lembrou. Lembrou que ele a deixou, que ele a machucou, que ele pisou em seus sentimentos, que ele a trancou num cárcere de solidão, que ele era seu amado.
Colocou uma música. Som de piano bateu em seus ouvidos. Ela chorou. Limpou as lágrimas para ninguém perceber. Olhou a cicatriz de seus pulsos. Ah, fora ele quem a fez fazer aquilo! Por que ele voltava? Para que? O que aconteceu? Dizia palavras sobre um futuro incerto e como tinha sido feliz ao lado dela. Dizia palavras sobre o céu, falava do tempo, e de livros que leram juntos. Falava de suas escolhas medíocres, de sua péssima índole e de como ela o fizera feliz.
Ela era ingênua, o amava. Ambos concordaram que algo além atrapalhava o amor furtivo, mas ele a decepcionara. Não, ela não o queria de novo. Sim, ela o queria. Queria o gosto daquele beijo que roubaram dela, queria o abraço quente que retiraram de seu corpo, queria o deleite de deitar-se ao mesmo leito que ele mais uma vez. Mas ela não podia, apesar de tudo, não queria sofrer, queria viver.
Ao encontrá-lo, tudo que pensava não saía de sua boca. Onde estaria agora, aquele sujeito valente que a tinha largado? Onde estaria, agora, aquela outra mulher de olhos claros? Não, ele a amava. Descobriu isso tarde demais. Embora as palavras não saíam, o silêncio foi o suficiente. E o último beijo fez-se surgir daquelas bocas sedentas de amor, molhadas de solidão.
Ela virou-se. Ficou de costas, foi embora. Quebrada por dentro, sofrendo, chorando, procurando um futuro longe dele. Correu, ele foi atrás. Se amavam e como se amavam. Mas ela não virou-se, ele tinha que sofrer como ela sofrera.
Chegou em casa, tirou os sapatos de lona barata, desamarrou a pequena blusa de algodão, e a calça jeans, a única de marca que possuía. Deitou-se na cama, respirou fundo. Ah, que aperto no coração. Abriu o sutiã, e completamente pelada, olhou-se no espelho. Os olhos vermelhos, os cabelos loiros encaracolados despenteados. Seu corpo não era dos mais perfeitos, nem dos mais feios. Não era de toda bonita, mas ele a achava linda. Suspirou, deitou-se na cama novamente. Adormeceu...não acordou mais. Os anjos vieram buscar sua alma ao paraíso dos céus.
Naquela tarde chuvosa, ele se deitou sobre o caixão de mármore. E chorou. Chorou como nunca havia chorado antes. Ele a fizera sofrer, e agora, uma parte dele tinha ido embora, percebeu agora, o quanto sua vida era sem sentido.
Nayara K.
(Lady Byron)
- A inspiração desse conto, deixo apenas um lembrete:
"♥"

quinta-feira, 26 de março de 2009

Desabafo a ti

Palavras cuspidas em minha face alva
Névoas de veneno que exalavam ódio
Seu hálito quente e ácido
Tudo a me conspirar as banalidades estúpidas

Desapego-me a ti cada vez mais
Era a hora de me ver contente por vitórias,
Não vê, não sente, não quer...
Tão pequeno o coração empedrado de raiva.

Resquícios do que foi algum dia amado
Hoje me saem da alma,
cárcere de um prisioneiro acorrentado
E que já não fostes, mal consumado

Devias ao menos a idolatria que não tens
Navio negreiro onde repousa os teus sentimentos
Devias ao menos o orgulho que não tens
Digerido pelos seus vermes da luxúria.

E se a falta sentires de mim algum dia
Procure-me onde os abraços são mais apertados
os amores, mais verdadeiros
e os beijos doces mais molhados.

Nayara K.
(Lady Byron)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Grandes Irmãos


Salve, salve
heróis da ignorância e da futilidade
Salve, salve
Pessoas feitas de moedas e de consumo
Salve, salve
Máscaras do capitalismo de cheiro acre.
Que tal dar aquela espiadinha,
Nas faces sujas dos cidadãos sem nome?
Que tal dar aquela espiadinha,
No mundo cinza que você está pisando?
São nossos heróis esculpidos,
corpos perfeitos e sorrisos brancos,
que não se encaixam nos subúrbios
que não se encaixam na realidade.
Salve, salve
Os sorrisos que não tem mais valor
Salve, salve
O tempo gasto para telefonar
e não alimentar-se de conhecimento.
Mídias, médias, custo, lucro
Milhões, carros, e uma grande parede
Que domina, que alucina, que vicia
assim como o ópio na primeira tragada.
Crianças, pobreza, indigência, fome
Desemprego, desafeto e estrupo
Coisas na qual nossos Grandes Irmãos Brasileiros
Nos fazem esquecer, e nos remetem ao ignorante.
Salve, salve
Serão esses nossos heróis?
Nayara K.
(Crítica aberta ao programa Big Brother Brasil)

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Concerto de seres


Álacres sons que dançavam em meus ouvidos
Um grande tropel a absorver tuas notas
Era antíofas ou salmos que eram proferidos
Fatos quiméricos sobre almas mortas
Tu que me corrompia com teus inefáveis sons
Soava-me a ária que agora me apaixono
Eram seus tantálicos e cabalísticos dons
Que na corda vibrante tornava-se, meu dono.
Guardo em mim teu acre eflúvio
E minha boca mádida do último beijo roubado
Espero ansiosava por músicas de um dilúvio
Na pequena rua feita de meninos do um novo Savo
Minha alma diáfana espera por ti, ansiante
Nessas melodias lamuriantes de amores
Em que cada vez me faço-me amante
Harmonias de Cor, Perfume e Sabores.
Nayara K.