sexta-feira, 2 de outubro de 2009

The Last Love


Somos como a Lua e o Sol em um contato imediato,
Vedados ao amor impossível e ao orgulho inevitável,
Trajamos nossas armaduras de ferro moldado,
Prendemo-nos na sacrilégia loucura inenarrável.


É uma droga ilícita que nos transporta,
Viajando sobre mares quentes e ventos gelados,
Obra de arte de uma tenebrosa natureza morta,
Vejo em ti os gritos de socorro intactos.


Abrace-me novamente em seus ternos braços,
Seremos o eclipse imediato de dores,
Não julgue-me pelas coisas que faço,
Nunca contentando-me com os resquícios de amores.


Com as costas na parede, me arranho até sangrar,
Quero você, inclícito homem, fonte de alucinações,
Na minha boca o gosto do último beijo irá repousar,
E na memória os suspiros, as causas e emoções.


Nayara K.
(Lady Byron)


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Loucura

Redemoinhos voando !
Moscas moscando !
Chuva batendo !
Frio arrepiando!

Ah, loucura que irei sucumbir!
GRITANDO ALTO, adianta?
Não. É, não adianta. Nada. LOUCURA.
Socorro. Talvez as moscas moscando não mosquem mais.
O vento não vente no arrepio da pele.

A chuva alva chove na janela da cama,
CHORANDO ALTO, adianta?
fendas da pele que o frio atravessa voando.
Cabelos na boca. Não adianta, adianta?

Se começar a escrever tudo
ao OIRÁRTNOC, adianta?
NÃO. Nada adianta. Estou roendo as unhas.
Estou mordendo meu corpo, ele sangra.

Aranhas escalando as paredes.
Mancha de sujeira da minha mão, SAIAM! Eu ordeno.
SAIA MANCHA!
Devaneios na minha cabeçe me chamam.

NÃO, POR FAVOR, NÃO ME DEIXEM...
...sucumbir a loucura.

Nayara K.

sábado, 5 de setembro de 2009

Vestido branco

Com os cabelos soltos e os pés descalsos,
ela rodava com seu vestido branco
Jogando flores sobre o chão de mármore
Cantarolando músicas da infância perdida.

Ela escrita sobre a areia com um pedaço de graveto
Para depois o mar apagar tudo com suas águas
Ela rodopiava, cansava e sentia fadigas
Mas não parava, doce menina descontrolada.

Sorria deliberadamente esbanjando felicidade
Nada parecia afetá-la os sentimentos
A noite caía e trazia seu vento gélido
E a menina pulava as ondas salgadas

Mãos delicadas batiam palmas para o céu
E ela rodopiava, rodopiava, rodopiava...
Uma vez mais, ela dizia para si mesma
E ela rodopiava, rodopiava e rodopiava...

Sentindo-se livre de tudo que viveu
Pisando em cima dos pesadelos que teve
Ela só queria rodar sobre seu vestido branco
Contrastando com o verde oceano

Rodopie mais, cada vez mais velozmente!
E caia, minha menina,
Caia no seio duro do solo que te ampara
E chore, menina, chore, não fantasie mais.

As ondas já se foram, os nomes já se foram
O vestido branco está encardido
Seus pés sangram pelo cansaço
E seu sorriso dissipa-se e voa com a areia.

Deite, menina...
Apenas deite, e não mais gire.

Nayara K.

domingo, 30 de agosto de 2009

Drácula




Com sua pele alva ele surge aos raios da Lua,
Dentes pontiagudos em lábios rubros
Rosto ávido e rude de singela sedução
Vem ao meu encontro ao uivar dos lobos.

Vejo-me diante de um ser ímpar
A noite em seu castelo transfigurado
Mulheres que se jogarão aos seus pés
Cessarão sua sede de sexo e sangue.

Eu me entregarei a ti os meus beijos
Meu pescoço sua mais nobre carne
Ouvindo os sons clássicos da Transilvânia
Seremos um, meu conde, juntos a eternidade.

Tu enganas a todos que aqui residem
Sua saliva demoníaca e límpida
Sua língua roçando em meu corpo
Suas mãos fortes no meio seio.

És um jogador de sedução e morbidez
Com teus olhos vermelhos escarlates a me chamar
Óh, salve-me, meu nobre Deus, que não me ouves mais!
Meu corpo é tua capela mais sagrada.

Nayara K.
(Lady Byron)

- Poema dedicado ao nobre personagem de Bram Stoker - Conde Drácula.

sábado, 22 de agosto de 2009

Pequeno poema extenso

E aqui me encontro novamente
Parada e andando em direção á um nada
Dizendo e repetindo
as palavras
consumidas e consumadas
Respirando e sufocando
Tendo em mente o mais profundo dos anestésicos.

Assim, sendo eu, vejo como as coisas passam
elas, as coisas e as pessoas
que cantam
aves que gorjeiam
É festa! dizem-me os sentimentos internos
E nada de desprezo pelos homens.

Ouça o som abafado que vem de longe!
Está perto do seu corpo, e te acaricia
Belo e intocado como cinzas
Lágrimas e pessoas passando
te deixando
vão embora. Todas.

Os seres desprezíveis permanecem
e se faz um círculo de coisas novas
mundos novos
em um velho contexto.

Nayara K.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carta


Rabisquei palavras sinceras
Papel barato de cheiro doce
Falava sobre todas minhas quimeras
E os amores, sentimentos quaisquer que fossem.
Entreguei-o com o meu receio
Um sorriso amargo me esperava
E com os lábios gelados, beijei-o
O envelope que lacrava minha palavra.
E o que adianta fugir de tudo?
A carta se foi carregada por ti
Um envelope gritava, embora mudo
E aquele peso que senti.
Era de palavras que jazia a muda carta
Eram de lágrimas quentes que a manchavam
E letras que doíam, estava farta
Frases feitas entralaçadas se amavam.
Hesitei por um instante,
Dar-te o papel dobrado
E como uma faca cortante
Minha mão ferida, coração suado.
Mas o dano que causou
Para sempre repousavá
Feridas da qual a carta não curou
Uma alma ferida morrerá.
Nayara K.
(Lady Byron)
- Especialmente para o cavalheiro que possui a carta descrevida no poema dentro de sua carteira. A carta disse sobre si. Ele entenderá.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

CHEGA

Chega de seus gritos invadindo meu quarto,
Chega de seus conceitos exatos sobre a vida,
Chega de me dizer tudo o que fazer, e o que não fazer,
Chega de bater em meu rosto com sua mão empoeirada.

Você se acha tão bom e correto,
Você se acha tão capaz de vencer a todos,
Mas você não sabe usar as palavras
Você não sabe o quanto elas machucam.

Eu amo e odeio as palavras, e elas me perseguem.
São meu refúgio quando você aparece
São minhas inimigas quando você fala
Eu amo e odeio o jeito com que elas me tocam.

CHEGA, entendeu agora?
Não sou mais o seu pequeno fantoche
Não serei o que deseja nem o que quer
Serei o que EU desejo e o que EU quero.

Fiz tantas coisas para te agradar e te deixar orgulhoso
E a torca que recebi foram olhares de desdém
Foram palavras ditas de uma boca egoísta
Alguém que em vez disso, deveria me dar a mão.

CHEGA!
Por favor, me deixe em um momento de paz
Por favor, seja ao menos uma vez amável
Não aguento mais chorar pelos cantos
E não encarar o rosto com que convivo.

CHEGA!
Eu não quero mais ferir meu próprio corpo por causa de você
Eu não quero mais sofrer por não me apoiar
Eu serei eu mesma e isso bastará
Não preciso mais de seus cuidados.


Nayara K.