quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Não recíproco.


Ela acordou daquela manhã fria e nebulosa. Arrancou os cobertores grosses que cheiravam a pele, passou a mão nos cabelos embaraçados e oleosos. Desejou, desesperadamente, ter dormido com ele. Mas, ao se virar de lado, outro repousava em sua cama, e ainda dormente, procurava o corpo quente dela. Ela o observou durante alguns minutos. Sentiu repugnância, nojo e ância de si mesmo. Levantou da cama, cobrindo os seios com os braços e andando torta.
Se calcinha branca, passou pela janela da cozinha e pela sala de estar. Bebeu um copo de água, trêmula, e de pés descalços. Ele ainda não havia acordado. Não se preocupava, melhor assim, pelo menos curtiria seu momento sozinha.
Pensou nele. Naquele outro alguém que ela tanto anciava, que ela tanto desejava. Porém, tinha a certeza que jamais andariam de mãos dadas na multidão, ou iriam rir juntos sentados em um bar numa noite de sábado. Utopia. Ele não viria para ela. Ele apenas brincava, e se saciava, depois partia. Estava na hora de esquecê-lo. De aprender a amar o outro, que dormia com ela todas as noites. Não aguentou. Chorou enlouquecidamente e silenciosamente. Chorou até suas pernas não aguentarem, e ela se ajoelhasse no piso frio da cozinha e soluçasse, pedindo um socorro inexistente.
Ele acordou, ouvindo o lamúrio da amada. Ajoelhou-se perto dela, e a abraçou. Não entendendo nada do que se passava. Mas ela, não correspondia seu abraço. Ela o deixou esperando a retribuição de carinho, e ele esperava paciente por ela e por seu amor.
Não suportando a fadiga, ela levantou-se. Foi ao quarto, arrumou suas coisas, e com um vestido de cetim barato, vestiu-se. "Adeus", ela disse á ele, e partiu para algum lugar bem longe de seus pensamentos. Ele, até tentou impedí-la, mas sentiu-se inútil. Sabia que algo a atormentava, e, pelo amor que sentia por ela, mesmo não sendo correspondido, a deixou ir. Ele apenas desejava a felicidade da amada, mesmo nos braços de outro homem. Mesmo que a felicidade dela fosse passar a eternidade chorando por alguém que ela nunca teria.


Nayara K.

domingo, 29 de novembro de 2009

O Único


Tenho a sensação de que fomos descobertos,
Nossos desejos quentes e mais internos,
Da qual prometemos não mais revelar
Vão despedaçando, lentamente, e nos fazem amar.
A noção de tempo e espaço evaporam
Em seus braços eu me deito e me sinto realizada
Não necessito de palavras, seus beijos me consomem
Somos um quando juntos, e quatro quando separados.
Quero que ouça-me com atenção
Você e eu somos guiados pela sedução,
Mesmo que uma barreira cresce no meio de nós
Procurar-te irei, pois és o único, como sou tua única.
Prometemos um ao outro juras de amor
Em seu lençol me deito e gozo das noites mornas
Não desistirei de você,
e nem tu dos meus beijos.
Nayara K.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Anyone like you


Toda vez que te vejo,
Lembro-me que devo te esquecer.
Corro gritando nas ruas teu nome,
Para que o silêncio me cubra com a letargia.

Não cabe mais em mim a dor que dilacera o peito,
Abraçando um outro alguém desejando teu calor,
Enquanto morde as carnes de uma terceira
E me deixa em prantos de amor.

E sua mão quente que ainda enrosca na minha
Teus beijos doces que chamam o meu lábio
És provocação suja e caráter manchado
Um nojo que por você não peguei.

Abrace-me fortemente na cama branca
Dediquemo-nos um ao outro novamente
Não me culpe por essas ações horrendas
Mas por ti, eu sangraria até a Morte.


Nayara K.
(Ldy Byron)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amantes





Sou alimentada pelo teu ego
Nosso orgulho medíocre e nossas nvidas separadas
Sonhamos e desejamos os braços um do outro
Deitados entre colchões ensopados de suor.

Minha unha arranhando suas costas
Gemidos altos que ecoam pelo quarto
Imaginamos cenas de amor
E na realidade vivemos ódio.

Agarro-me ao travesseiro que cheira a ti
Perfume avassalador que me persegue
Passo mal quando te vejo com ela
Mas já não derramo as lágrimas salgadas.

Nossos encontros são secos e quentes
Amor de verdade é confundido por nós
E nos entregamos a devaneios e utopias
Querendo e evitando um ao outro.

Somos amantes ao cair da noite
e meros conhecidos ao raiar do dia
Somos o êxtase do prazer ao invisível
E fracos diante de outros olhos.
Nayara K.
(Lady Byron)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

The Last Love


Somos como a Lua e o Sol em um contato imediato,
Vedados ao amor impossível e ao orgulho inevitável,
Trajamos nossas armaduras de ferro moldado,
Prendemo-nos na sacrilégia loucura inenarrável.


É uma droga ilícita que nos transporta,
Viajando sobre mares quentes e ventos gelados,
Obra de arte de uma tenebrosa natureza morta,
Vejo em ti os gritos de socorro intactos.


Abrace-me novamente em seus ternos braços,
Seremos o eclipse imediato de dores,
Não julgue-me pelas coisas que faço,
Nunca contentando-me com os resquícios de amores.


Com as costas na parede, me arranho até sangrar,
Quero você, inclícito homem, fonte de alucinações,
Na minha boca o gosto do último beijo irá repousar,
E na memória os suspiros, as causas e emoções.


Nayara K.
(Lady Byron)


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Loucura

Redemoinhos voando !
Moscas moscando !
Chuva batendo !
Frio arrepiando!

Ah, loucura que irei sucumbir!
GRITANDO ALTO, adianta?
Não. É, não adianta. Nada. LOUCURA.
Socorro. Talvez as moscas moscando não mosquem mais.
O vento não vente no arrepio da pele.

A chuva alva chove na janela da cama,
CHORANDO ALTO, adianta?
fendas da pele que o frio atravessa voando.
Cabelos na boca. Não adianta, adianta?

Se começar a escrever tudo
ao OIRÁRTNOC, adianta?
NÃO. Nada adianta. Estou roendo as unhas.
Estou mordendo meu corpo, ele sangra.

Aranhas escalando as paredes.
Mancha de sujeira da minha mão, SAIAM! Eu ordeno.
SAIA MANCHA!
Devaneios na minha cabeçe me chamam.

NÃO, POR FAVOR, NÃO ME DEIXEM...
...sucumbir a loucura.

Nayara K.

sábado, 5 de setembro de 2009

Vestido branco

Com os cabelos soltos e os pés descalsos,
ela rodava com seu vestido branco
Jogando flores sobre o chão de mármore
Cantarolando músicas da infância perdida.

Ela escrita sobre a areia com um pedaço de graveto
Para depois o mar apagar tudo com suas águas
Ela rodopiava, cansava e sentia fadigas
Mas não parava, doce menina descontrolada.

Sorria deliberadamente esbanjando felicidade
Nada parecia afetá-la os sentimentos
A noite caía e trazia seu vento gélido
E a menina pulava as ondas salgadas

Mãos delicadas batiam palmas para o céu
E ela rodopiava, rodopiava, rodopiava...
Uma vez mais, ela dizia para si mesma
E ela rodopiava, rodopiava e rodopiava...

Sentindo-se livre de tudo que viveu
Pisando em cima dos pesadelos que teve
Ela só queria rodar sobre seu vestido branco
Contrastando com o verde oceano

Rodopie mais, cada vez mais velozmente!
E caia, minha menina,
Caia no seio duro do solo que te ampara
E chore, menina, chore, não fantasie mais.

As ondas já se foram, os nomes já se foram
O vestido branco está encardido
Seus pés sangram pelo cansaço
E seu sorriso dissipa-se e voa com a areia.

Deite, menina...
Apenas deite, e não mais gire.

Nayara K.