segunda-feira, 6 de julho de 2009

Parafusos

Começo com uma simples pergunta: o que é a vida para você? É óbvio que não saiba me responder. Ninguém sabe. A vida de muitos se resume a uma grande paixão, a amizade, ao companherismo, a futilidade e até mesmo a vingança. Sua vida gira em torno de banhos matinais quentes, com o sabonete no fim, lendo as instruções do shampoo enquanto se lava. A rotina mais que produzida, uma máquina metamorfoseada em ser humano. Pode não apertar parafusos, ou pode, mas de algum modo sempre está fazendo a mesma coisa. Todo dia. Toda hora. E não se cansa, ou melhor, cansa sim. Mas o seu cansaço é compensado por uma noite mal dormida, em uma cama na qual pensa estar confortável, mas possui espinhos em toda a espuma que envolve o colchão. Acabamos por viver uma vida monótona, regrada e com limites. De algum modo, sempre queremos ser os revolucionários, quebrar a monotonia, roubar o tempo e inovar. Mas não o fazemos. Sentamos e esperamos. Ou, apertamos novos parafusos. E para onde vão os parafusos apertados?! Sempre queremos descobrir, mas, quando chegamos em casa, ligamos a televisão, e dançamos com aqueles botões coloridos, sem parar em nenhum canal, sem assistir a absolutamente nada. E temos o dom de fazer isso por horas. Gastar vida mudando o canal da TV. Não reclamamos. Aceitamos. Olhamos na janela, se você for o cara de cima, olha como o mundo é feio, e se sente feliz por estar na sua casa aconchegante. Uma nota para você: ela não é aconchegante. Mas, se você for o cara de baixo, você simplesmente olha o cara de cima, e fica no conformismo, na sua casa que vive cheirando á feijão. Uma nota para você: o feijão cheira bem.
E rodamos novamente, no que se chama de vida. O que nos faz vivê-la? Talvez a simples curiosidade de desvendar a morte, ou talvez, por sermos apenas bactérias evoluídas, que, ao morrer, vira húmus e alimenta as plantas verdes que por algum momento em nossas vidas, nos alimentaram.
E o que vem depois disso? Nada. Nada? Dica: até a morte tem coração. Ou pelo menos, ela te observa de algum modo, com o resquício de piedade.
Piedade por você ter apenas apertado os parafusos. Piedade por sua vida girar em torno do banho matinal e da mesmice. Lave os cabelos, mas eles nunca estarão limpos. Aperte os parafusos, mas eles nunca estarão bem presos. E para que tudo isso vale? E o companheirismo, aonde fica? Descobrimos no leito. Sim, no leito. Nunca amamos. Apenas achamos que amamos. E só descobrimos isso ao fechar os olhos pela última vez. Uma dica para quem ama de verdade: guardará boas recordações dos parafusos. Nada mais...

Nayara K.

6 comentários:

Mateus Araujo disse...

Ciclar parafusos é o controle do incontrolável. Enganos ao achar que estamos amando ou tornando nossa vida útil de alguma maneira, mas o que realmente fazemos é parafusar. Tu és incrível com as palavras. Aliás, com a vida. De nada vale escrever sem ter vivido, tu vives, tu escrever a vida, a verdadeira alma do mundo, que pouco podem entender, pouco podem sentir. E o sentir é estar a pár à morte, pois a morte é vida. a vida é morte. No sentido em que entramos no conformismo, a vida passa a ser estes citados parafusos e nada mais são do que metais desprovidos da vida. Talvez eles sim estejam na verdadeira felicidade pois não há o haver do passar dos dias. Pra mim quanto mais perto da morte se está mais longe da solidão se encontra. E mais perto da felicidade. Um homem feliz é um homem que se vive nas vizinhanças da morte, pois não há vizinha mais barulhenta, mais brincalhona, mais imprevista, súbita, mais vívida. Então o que digo em conclusão é isto: Viva a morte! Ainda não sei se me entende...
TEAMO minha foice sangrenta
*_*


( kkk tá até engraçado isso)♥

Jessy Beraldo disse...

vc tbm minha cara, daria uma filosofa realmente incrivel^^

Daniel Braga disse...

Nossa.. que lindo. Adorei a dica. É um conselho a se tomar ;)

~Até a próxima.

*DB*

Ademerson Novais disse...

O texto muda...sai das linhas uma emcima da outras....tira um poucos as palavras dubias...tão suas..tão diretas...mais ai continua a destrinchar a alma em cores desbotadas...rodopia em sentimentos...nos faz colar os olhos...não sair do lugar...querer ir para a palavra seguinte...nos faz refletir....ler as entrelinhas...e ali estão tantas coisas que quase não vemos...


Adorei muito este texto amiga...a cada dia se faz mais e mais uma poeta...


Fico muito feliz toda vez que venho aqui....

A.S. disse...

Lady...

A vida... é um raio de luz que acendeu o olhar, fez pulsar o coração, e nos deu a conhecer o amor e o desejo...


Beijos...

O Profeta disse...

Haverá?! Há sempre uma deusa perdida
Nos labirintos da contradição
Há sempre alguém que usa a palavra amor
Soprando doce veneno ao coração
Há sempre alguém que nos diz coisas tontas
Há sempre alguém que afugenta a Saudade
Há sempre alguém que nos marca a ferro frio
Há sempre uma alma ausente da verdade

Bom fim de semana


Doce beijo